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Carta de Intenções (LOI) em Portugal

Letter of Intent (LOI) Portugal (Carta de Intenções)

CARTA DE INTENÇÕES

(Letter of Intent — LOI)

Nos termos do artigo 227.º do Código Civil (boa fé pré-contratual)

[City], [Date]

Para: [Recipient Name]

NIF/NIPC: [Recipient NIF]

Morada: [Recipient Address]

Assunto: Carta de Intenções relativa a [Transaction Type]

Exmos. Senhores,

[Issuer Name], NIF/NIPC [Issuer NIF], com sede em [Issuer Address], neste ato representada por [Issuer Representative] (doravante "Emitente"), vem por este meio manifestar formalmente a sua intenção de prosseguir negociações com V. Exas. (doravante "Destinatário") relativamente à operação adiante descrita, ao abrigo do dever de boa fé pré-contratual consagrado no artigo 227.º do Código Civil.

1. OBJECTO DA OPERAÇÃO

Tipo de operação: [Transaction Type].

Objeto detalhado: [Object].

2. PREÇO INDICATIVO E ESTRUTURA DE PAGAMENTO

O Emitente propõe um preço indicativo de [Price].

Este preço é meramente indicativo e está sujeito a ajustamentos em função dos resultados da due diligence financeira, fiscal, laboral e jurídica a realizar nos termos do n.º 4 da presente Carta.

3. CONDIÇÕES SUSPENSIVAS

A celebração do contrato definitivo fica sujeita às seguintes condições suspensivas, nos termos do artigo 270.º do Código Civil:

a) Conclusão satisfatória da due diligence financeira, fiscal, laboral e jurídica;

b) Obtenção de autorizações regulatórias aplicáveis, designadamente da Autoridade da Concorrência (AdC) nos termos da Lei n.º 19/2012 quando aplicável;

c) Aprovação pelos órgãos sociais competentes do Emitente e do Destinatário;

d) Inexistência de evento adverso material relevante (Material Adverse Change) que afete a viabilidade económica da operação.

4. DUE DILIGENCE

O Destinatário compromete-se a permitir ao Emitente e aos seus assessores (advogados, revisores oficiais de contas, consultores fiscais e técnicos) o acesso à informação financeira, fiscal, laboral, comercial, técnica e jurídica necessária à due diligence, durante o prazo de [DD Period]. O acesso é prestado mediante data room virtual com índice estruturado.

5. EXCLUSIVIDADE NEGOCIAL

Durante o período de [Exclusivity] a contar da aceitação da presente Carta, o Destinatário obriga-se a não negociar, direta ou indiretamente, com qualquer terceiro qualquer operação de natureza similar à descrita na presente Carta, salvo consentimento prévio escrito do Emitente. A presente cláusula vincula plenamente o Destinatário.

6. CONFIDENCIALIDADE

As Partes obrigam-se a manter sigilo sobre a existência e conteúdo da presente Carta e sobre toda a informação trocada no âmbito da due diligence, ao abrigo dos artigos 313.º a 320.º do Código da Propriedade Industrial (DL 110/2018), pelo período de 5 anos. Quando a informação inclua dados pessoais, é aplicável o RGPD e a Lei n.º 58/2019.

7. NATUREZA JURÍDICA

A presente Carta de Intenções tem natureza não vinculativa quanto aos termos comerciais e à obrigação de celebrar o contrato definitivo. Vinculam, contudo, plenamente as Partes as cláusulas relativas a exclusividade, confidencialidade, repartição de custos, lei aplicável e foro, bem como o dever pré-contratual de boa fé do artigo 227.º do Código Civil.

8. CUSTOS

Cada Parte suporta os seus próprios custos relacionados com a operação (assessoria jurídica, fiscal, financeira, técnica). Em caso de rutura abusiva das negociações em violação do dever de boa fé do artigo 227.º do Código Civil, a Parte responsável pode ser obrigada a indemnizar a outra pelos custos comprovadamente incorridos.

9. LEI APLICÁVEL E FORO

A presente Carta é regulada pela lei portuguesa nos termos do artigo 3.º do Regulamento (CE) 593/2008. Para a resolução de eventuais litígios é competente o Tribunal Judicial da Comarca de [City], com expressa renúncia a qualquer outro.

10. PRAZO PARA ACEITAÇÃO

A presente proposta deverá ser aceite mediante assinatura no prazo de [Deadline], findo o qual caduca automaticamente.

Com os melhores cumprimentos,

[Issuer Representative]

Em representação de [Issuer Name]

ACEITE:

Em representação de [Recipient Name]

Data: ____/____/______

Emitente

________________

Signature

Destinatário (Aceite)

________________

Signature

Mantido por Vladislav Sergienko, Fundador·Modelo modificado pela última vez: ·Relatar um erro

O que é Carta de Intenções (LOI) em Portugal

A Carta de Intenções (LOI) é o documento empresarial celebrado em Portugal ao abrigo de Código Civil, artigo 227.º (boa fé pré-contratual).

A Carta de Intenções distingue-se do Memorando de Entendimento (MOU) pela sua natureza tendencialmente unilateral — emitida por uma parte e aceite pela outra mediante assinatura — e pela sua tipificação setorial em operações com forte componente de avaliação pré-contratual. Distingue-se igualmente do contrato-promessa nos termos do artigo 410.º do Código Civil pela ausência de obrigação de celebrar o contrato definitivo: a LOI tradicional é instrumento de declaração de intenções acompanhada de obrigações instrumentais vinculativas (exclusividade, confidencialidade, repartição de custos), mas não cria obrigação executória de conclusão do negócio. A jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça tem clarificado que a qualificação depende do conteúdo material e não da designação adotada — uma LOI que contenha acordo definitivo sobre todos os pontos essenciais nos termos do artigo 232.º do Código Civil pode ser requalificada como contrato-promessa em sede judicial.

O regime da culpa in contrahendo do artigo 227.º do Código Civil é o eixo doutrinário central. Este preceito impõe a quem negoceia com outrem o dever de proceder, tanto nos preliminares como na formação do contrato, segundo as regras da boa fé, sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte. A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal de Justiça reconhece três modalidades principais de violação: rutura abusiva das negociações depois de criada a confiança legítima na conclusão do contrato; conclusão de contrato inválido por omissão de informação relevante; e divulgação não autorizada de informação confidencial obtida durante as tratativas. A indemnização cobre, em regra, o interesse contratual negativo (despesas inúteis, oportunidades perdidas) e, em casos qualificados de violação grave, o interesse contratual positivo.

No plano da exclusividade negocial, a LOI tipicamente contém cláusula que vincula plenamente o destinatário a não negociar simultaneamente com terceiros operações de natureza similar durante prazo determinado (60 a 90 dias é a prática mais comum em operações de M&A médias; até 120 dias em operações complexas). A violação da exclusividade gera responsabilidade indemnizatória nos termos dos artigos 798.º e seguintes do Código Civil e pode ser reforçada com pena pecuniária ao abrigo dos artigos 810.º a 812.º. A executoriedade da pena fica sujeita à regra de redução equitativa do artigo 812.º quando seja manifestamente excessiva face ao dano efetivamente verificado.

No plano da confidencialidade, a LOI dirige-se à proteção tanto da própria existência da Carta (em particular em operações sobre sociedades cotadas, onde a divulgação prematura pode ter qualificação como informação privilegiada nos termos do Regulamento UE 596/2014) como da informação trocada durante a fase de due diligence subsequente. Quando a informação reúna as três condições cumulativas do artigo 313.º do CPI — secretismo, valor comercial, medidas razoáveis de proteção —, beneficia da tutela específica do segredo comercial perante o Tribunal da Propriedade Intelectual em Lisboa, criado pela Lei n.º 46/2011 de 24 de junho. Quando inclua dados pessoais, aplicam-se o RGPD e a Lei n.º 58/2019 de 8 de agosto, com fiscalização da CNPD.

No plano regulatório, operações de aquisição de controlo sobre empresas em Portugal podem ficar sujeitas a notificação obrigatória à Autoridade da Concorrência (AdC) nos termos da Lei n.º 19/2012 quando os limiares de volume de negócios fixados no artigo 37.º sejam atingidos. Em sociedades cotadas em mercado regulamentado supervisionado pela CMVM, aplicam-se as regras do Código dos Valores Mobiliários (Decreto-Lei n.º 486/99) sobre ofertas públicas de aquisição (OPA), participações qualificadas, divulgação de informação privilegiada e prevenção de abuso de mercado. Em setores regulados (banca, seguros, energia, telecomunicações, saúde), podem aplicar-se ainda autorizações setoriais do Banco de Portugal, ASF, ERSE, ANACOM ou Entidade Reguladora da Saúde.

Quando você precisa de Carta de Intenções (LOI) em Portugal

A Carta de Intenções em Portugal é necessária na fase inicial de operações empresariais complexas em que existe interesse formal numa transação ainda não suficientemente amadurecida para assumir compromisso contratual definitivo, mas com investimento já significativo de tempo e recursos por parte do potencial comprador, investidor ou financiador.

Aquisição de empresas (M&A) constitui o principal terreno de aplicação. Em operações de share deal — aquisição de quotas de Sociedade por Quotas (Lda.) ao abrigo dos artigos 228.º a 230.º do Código das Sociedades Comerciais ou de ações de Sociedade Anónima (S.A.) ao abrigo dos artigos 326.º e seguintes do CSC — a LOI emitida pelo comprador formaliza a oferta indicativa, abre o acesso à data room para due diligence, estabelece exclusividade negocial e fixa o calendário até à assinatura do Sale and Purchase Agreement (SPA). Em operações de asset deal — aquisição de unidades produtivas, estabelecimentos comerciais, marcas, patentes, contratos —, a LOI delimita o perímetro dos ativos visados e os passivos eventualmente assumidos. Em operações de carve-out (alienação de unidade de negócio destacada), a LOI identifica a unidade e as condições da separação operacional.

Investimentos minoritários por sociedades de capital de risco registadas na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ao abrigo do Regime Jurídico do Capital de Risco (Lei n.º 18/2015 de 4 de março) recorrem à LOI como term sheet inicial, descrevendo a participação a adquirir, a estrutura de governance pretendida (assento em assembleia geral, direitos de veto sobre matérias relevantes nos termos do pacto parassocial registado ao abrigo do artigo 17.º do Código das Sociedades Comerciais), os direitos de saída (drag along, tag along, opções de compra e venda recíprocas, direitos de primeira recusa), as cláusulas anti-diluição em rondas subsequentes, e as proteções típicas de investidor institucional. Idêntica utilização verifica-se em rondas de financiamento de startups apoiadas pela Startup Portugal e incubadas em entidades reconhecidas (Beta-i, Building Global Innovators, UPTEC, IPN-Incubadora, Fábrica de Startups).

Joint ventures empresariais nos termos do artigo 405.º do Código Civil materializam-se em LOI prévia entre os parceiros antes da constituição do veículo societário comum (Sociedade por Quotas, Sociedade Anónima ou Agrupamento Complementar de Empresas) e da elaboração do pacto parassocial e do contrato de sociedade. A LOI define a contribuição de cada parceiro, a governance prevista, a partilha de resultados, a duração da parceria, as cláusulas de saída e as obrigações de não concorrência.

Financiamentos estruturados pelo Banco Português de Fomento (BPF), pelo Banco Europeu de Investimento (BEI), pelo Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) ou por sindicatos bancários liderados por instituições autorizadas pelo Banco de Portugal ao abrigo do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (Decreto-Lei n.º 298/92) recorrem à LOI como term sheet inicial em que se fixam montante, prazo, calendário de desembolsos, taxa de juro, garantias (livrança, fiança, aval, hipoteca, penhor de quotas ou ações, conta caução), covenants financeiros e condições suspensivas.

Reestruturações empresariais conduzidas no âmbito do Processo Especial de Revitalização (PER) ou do Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE) regulado pela Lei n.º 8/2018 de 2 de março envolvem normalmente LOI emitida por investidor estratégico ou financeiro interessado em recapitalizar a empresa em dificuldades, fixando os termos do investimento, a estrutura de governance pós-reestruturação e o tratamento dos credores existentes.

Operações imobiliárias de grande dimensão — aquisição de portefólios, projetos de promoção imobiliária, hotéis, centros comerciais, escritórios — recorrem à LOI antes do contrato-promessa de compra e venda nos termos do artigo 410.º do Código Civil. A LOI fixa o preço indicativo (sujeito a ajustamentos pós-due diligence técnica e jurídica), as condições suspensivas (obtenção de licenças, regularização registral predial, distrate de hipotecas anteriores), e o calendário até à escritura pública lavrada em cartório notarial ou ao Documento Particular Autenticado (DPA) por advogado nos termos do Decreto-Lei n.º 116/2008.

Em sociedades cotadas, a celebração de LOI sobre operação de mercado relevante (aquisição de participação qualificada, OPA, fusão, cisão, alienação de ativos significativos) pode ser qualificada como informação privilegiada nos termos do artigo 7.º do Regulamento (UE) 596/2014 sobre abuso de mercado, exigindo divulgação imediata ao público mediante comunicado emitido em conformidade com a Instrução da CMVM e arquivado no Sistema de Difusão de Informação. A omissão configura contraordenação muito grave nos termos do artigo 388.º do Código dos Valores Mobiliários sancionável pela CMVM com coima até €5 milhões.

O que incluir no seu Carta de Intenções (LOI) em Portugal

Uma Carta de Intenções em Portugal juridicamente eficaz integra elementos estruturais cuja redação cuidada determina a alocação de risco entre as partes durante a fase pré-contratual e a executoriedade das obrigações instrumentais vinculativas.

Identificação rigorosa do emitente e do destinatário constitui o primeiro elemento. Para pessoas coletivas, exige-se a denominação social registada na Conservatória do Registo Comercial, NIPC, sede social, capital social, e identificação do representante legal com poderes de vinculação confirmados pela certidão permanente disponível em www.empresaonline.pt. Para pessoas singulares, NIF emitido pela Autoridade Tributária e Aduaneira, número do Cartão de Cidadão e morada. Quando a operação envolva consórcio, joint venture ou pluralidade de investidores, devem ser identificadas todas as entidades intervenientes e os respetivos papéis (lead investor, co-investor, sponsor, etc.).

Descrição precisa do objeto da operação é o segundo elemento. A cláusula deve especificar o tipo de operação (share deal, asset deal, investimento minoritário, joint venture, financiamento), o perímetro objetivo (identificação da empresa-alvo, dos ativos visados, dos contratos a transmitir), a percentagem de capital a adquirir quando aplicável, e as exclusões expressas (ativos retidos pelo vendedor, contratos a terminar antes do closing). A precisão deste elemento facilita a delimitação do âmbito da exclusividade negocial e a aferição da boa fé na rutura eventual das negociações.

Preço indicativo e estrutura de pagamento é o terceiro elemento crítico. A LOI deve fixar o preço-base proposto e os mecanismos de ajustamento pós-due diligence — locked box (preço fixo a partir de balanço de referência), completion accounts (ajustamento por contas de fecho), earn-out (componente variável condicionada a performance futura). Devem ser indicadas as modalidades de pagamento (à vista, a prazo, retenções para garantia de declarações e garantias, escrow account em conta-caução de instituição bancária autorizada pelo Banco de Portugal). Em operações com componente acionista, deve clarificar-se se há lugar a financiamento bancário, vendor loan ou outras fontes.

Condições suspensivas é o quarto elemento. Nos termos do artigo 270.º do Código Civil, as condições suspensivas suspendem a produção de efeitos do contrato definitivo até à verificação de eventos futuros e incertos. A LOI deve listar as condições típicas: conclusão satisfatória da due diligence financeira, fiscal, laboral e jurídica; obtenção de autorizações regulatórias (Autoridade da Concorrência ao abrigo da Lei n.º 19/2012 quando os limiares do artigo 37.º sejam atingidos; Banco de Portugal para participações qualificadas em entidades supervisionadas; ASF para entidades seguradoras; ERSE para entidades do setor energético; ANACOM para operadores de comunicações eletrónicas); aprovação pelos órgãos sociais competentes do emitente e do destinatário; inexistência de evento adverso material relevante (Material Adverse Change) entre a assinatura da LOI e o closing.

Due diligence é o quinto elemento. A cláusula deve definir o âmbito (financeira, fiscal, laboral, jurídica, técnica, ambiental, propriedade intelectual, IT), a duração (tipicamente 30 a 60 dias em operações médias, até 90 dias em operações complexas), as modalidades de acesso (data room virtual gerido por plataforma especializada, com índice estruturado, controlo de acessos individuais, registos de auditoria), os direitos de Q&A entre as equipas, e os princípios de gestão da informação confidencial.

Exclusividade negocial é o sexto elemento, vinculativo mesmo em LOI declaradas como gerais não vinculativas. A cláusula deve fixar prazo (60 a 120 dias na prática portuguesa para M&A médias), âmbito objetivo (operações da mesma natureza), âmbito subjetivo (universo de contrapartes excluídas) e remédios em caso de violação. A pena pecuniária nos termos dos artigos 810.º a 812.º do Código Civil pode reforçar a executoriedade, sujeita à regra de redução equitativa do artigo 812.º.

Confidencialidade é o sétimo elemento. A obrigação abrange a existência da própria LOI (relevante em operações sobre sociedades cotadas) e a informação trocada durante a due diligence. A tutela articula-se com o regime do segredo comercial dos artigos 313.º a 320.º do CPI quando estejam reunidas as três condições cumulativas (secretismo, valor comercial, medidas razoáveis), com a competência exclusiva do Tribunal da Propriedade Intelectual em Lisboa nos termos da Lei n.º 46/2011. Quando a informação inclua dados pessoais, é aplicável o RGPD e a Lei n.º 58/2019.

Declaração expressa da natureza vinculativa é o oitavo elemento. A LOI deve afirmar inequivocamente que tem natureza não vinculativa quanto aos termos comerciais e à obrigação de celebrar o contrato definitivo, ressalvando o carácter plenamente vinculativo das cláusulas de exclusividade, confidencialidade, repartição de custos, lei aplicável e foro. Esta declaração evita a qualificação inadvertida como contrato-promessa nos termos do artigo 410.º do Código Civil.

Repartição de custos é o nono elemento. A regra geral é a de que cada parte suporta os seus próprios custos (assessoria jurídica, fiscal, financeira, técnica). Pode estipular-se reembolso pela parte que provoque rutura abusiva das negociações em violação do dever de boa fé do artigo 227.º do Código Civil, ou repartição equitativa de custos comuns (data room, fees regulatórios).

Lei aplicável e foro é o décimo elemento. Aplica-se a lei portuguesa nos termos do artigo 3.º do Regulamento (CE) 593/2008 (Roma I). Para o foro contratual geral, o Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca; para litígios sobre segredo comercial, o Tribunal da Propriedade Intelectual em Lisboa; em alternativa, arbitragem no Centro de Arbitragem Comercial da CCIP ao abrigo da Lei n.º 63/2011.

A forms-legal.com disponibiliza este modelo de Carta de Intenções em Portugal como ponto de partida para operações empresariais complexas. A redação final deve ser revista por advogado inscrito na Ordem dos Advogados especializado em direito societário e M&A. Documentos relacionados disponíveis no nosso catálogo: Memorando de Entendimento (MOU) para parcerias bilaterais simétricas e Acordo de Confidencialidade Empresarial (NDA) para troca aprofundada de informação sensível anterior à fase de LOI.

Como preencher seu Carta de Intenções (LOI) em Portugal

O preenchimento da Carta de Intenções em Portugal segue uma sequência prática orientada para a maximização da eficácia jurídica das obrigações instrumentais e para a minimização do risco de qualificação inadvertida como contrato-promessa.

Primeiro passo: validação da maturidade negocial. Antes de redigir, confirme internamente que a operação se encontra suficientemente amadurecida para justificar comunicação formal — termos comerciais alinhados, equipa de assessores definida, calendário viável, recursos de due diligence disponíveis. Uma LOI emitida prematuramente expõe o emitente a desgaste reputacional se as condições não estiverem reunidas.

Segundo passo: identificar com precisão emitente e destinatário. Para sociedades comerciais, obtenha certidão permanente atualizada na Conservatória do Registo Comercial mediante código de acesso pago em www.empresaonline.pt, confirmando denominação social, NIPC, sede, capital social e poderes de representação dos signatários. Confirme a ausência de processos de insolvência pendentes nos termos do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (DL 53/2004) consultando o portal Citius.

Terceiro passo: descrever o objeto da operação. Especifique o tipo (share deal, asset deal, investimento, joint venture), identifique a empresa-alvo ou os ativos visados pela denominação social, NIPC e sede, indique a percentagem de capital ou o perímetro de ativos, e liste as exclusões expressas. Em asset deal, anexe lista detalhada dos ativos transmitidos e dos contratos a transmitir nos termos do artigo 595.º do Código Civil quanto à cessão da posição contratual.

Quarto passo: fixar o preço indicativo e os mecanismos de ajustamento. Indique o preço-base, o método de ajustamento (locked box, completion accounts, earn-out), os componentes de retenção (escrow para garantia de declarações e garantias por prazo de 18 a 36 meses, retenção para passivos contingentes específicos), e os meios de pagamento. Em operações com componente de financiamento bancário, antecipe a obtenção de carta de conforto emitida por instituição autorizada pelo Banco de Portugal.

Quinto passo: listar as condições suspensivas. Inclua a conclusão satisfatória da due diligence, a obtenção das autorizações regulatórias aplicáveis (notificação à Autoridade da Concorrência nos termos da Lei n.º 19/2012 quando os limiares do artigo 37.º sejam atingidos; autorização do Banco de Portugal para participações qualificadas em entidades de crédito; autorizações setoriais quando aplicáveis), a aprovação pelos órgãos sociais competentes, e a inexistência de evento adverso material relevante.

Sexto passo: estruturar a due diligence. Defina o âmbito (financeira, fiscal, laboral, jurídica, técnica, ambiental), a duração (30 a 60 dias para operações médias), o modo de acesso (data room virtual estruturado), e os princípios de Q&A. Identifique os assessores envolvidos do lado do emitente (advogados inscritos na Ordem dos Advogados, revisores oficiais de contas registados na OROC, contabilistas certificados registados na OCC, peritos avaliadores) e exija a respetiva sujeição a NDA.

Sétimo passo: calibrar a exclusividade negocial. Fixe prazo razoável face à complexidade da operação (60 dias para M&A simples, 90 dias para M&A médias, até 120 dias para operações complexas com várias jurisdições). Defina o âmbito objetivo (operações da mesma natureza) e o âmbito subjetivo (universo de contrapartes excluídas). Considere reforçar com pena pecuniária nos termos dos artigos 810.º a 812.º do Código Civil documentando a fundamentação económica do montante para antecipar a aplicação da regra de redução equitativa do artigo 812.º.

Oitavo passo: estruturar a confidencialidade. Distinga a obrigação de sigilo sobre a existência da LOI (relevante em operações sobre sociedades cotadas) da obrigação de sigilo sobre a informação trocada durante a due diligence. Quando a informação reúna as três condições cumulativas do artigo 313.º do CPI, articule a tutela do segredo comercial. Quando inclua dados pessoais, refira a aplicação do RGPD e da Lei n.º 58/2019 e considere a celebração de contrato de subcontratação ao abrigo do artigo 28.º do RGPD em paralelo com a LOI.

Nono passo: declarar expressamente a natureza vinculativa. Inscreva cláusula expressa que clarifique a não vinculatividade quanto aos termos comerciais e à obrigação de celebrar o contrato definitivo, ressalvando o carácter plenamente vinculativo das cláusulas instrumentais (exclusividade, confidencialidade, repartição de custos, lei aplicável e foro).

Décimo passo: lei aplicável, foro e prazo de aceitação. Indique a lei portuguesa nos termos do artigo 3.º do Regulamento Roma I, selecione o foro (Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca para litígios contratuais; Tribunal da Propriedade Intelectual em Lisboa para litígios sobre segredo comercial; arbitragem no CAC-CCIP em alternativa). Fixe prazo para aceitação (tipicamente 7 a 15 dias úteis a contar da receção da Carta) findo o qual a proposta caduca automaticamente nos termos do artigo 228.º do Código Civil.

Décimo primeiro passo: assinatura e arquivamento. A LOI é assinada pelo emitente e devolvida pelo destinatário com aceite assinado. O reconhecimento presencial das assinaturas em cartório notarial, balcão da Conservatória ou perante advogado nos termos do artigo 38.º do Decreto-Lei n.º 76-A/2006 é recomendável em operações de elevado valor. A assinatura eletrónica qualificada com Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital tem o mesmo valor da assinatura manuscrita ao abrigo do Regulamento (UE) 910/2014 (eIDAS). Conserve cópias datadas em arquivo seguro durante o prazo da operação e a duração das obrigações de confidencialidade subsistentes.

Erros comuns a evitar no seu Carta de Intenções (LOI) em Portugal

Os erros mais frequentes na elaboração da Carta de Intenções em Portugal expõem as partes a litígios prolongados e à frustração de operações comercialmente viáveis.

Omissão da declaração expressa sobre a natureza vinculativa. Erro recorrente é redigir a LOI sem clarificar inequivocamente que tem natureza não vinculativa quanto aos termos comerciais. A jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça qualifica o instrumento em função do conteúdo material — quando exista acordo sobre todos os pontos essenciais nos termos do artigo 232.º do Código Civil e intenção de vinculação, a LOI pode ser qualificada como contrato-promessa nos termos do artigo 410.º do Código Civil, com aplicação do regime do sinal e da execução específica. A solução é incluir cláusula expressa que delimite a vinculação às cláusulas instrumentais (exclusividade, confidencialidade, repartição de custos, lei aplicável e foro).

Descrição imprecisa do objeto da operação. A omissão da identificação clara da empresa-alvo, dos ativos visados ou da percentagem de capital a adquirir gera ambiguidade quanto ao âmbito da exclusividade negocial. A solução é especificar com rigor o tipo de operação, identificar a empresa-alvo pela denominação social, NIPC e sede, indicar a percentagem ou o perímetro de ativos, e listar as exclusões expressas.

Falta de calibração do prazo de exclusividade negocial. Prazos demasiado curtos (15 a 30 dias) podem ser insuficientes para concluir due diligence séria, gerando renovações sucessivas que enfraquecem a credibilidade da LOI. Prazos demasiado longos (180 dias ou mais) podem ser desconsiderados judicialmente por desproporção com a complexidade da operação. A prática portuguesa em M&A médias situa o prazo entre 60 e 120 dias.

Ausência de cláusula de Material Adverse Change (MAC). A omissão da condição suspensiva de inexistência de evento adverso material relevante entre a assinatura da LOI e o closing expõe o comprador ao risco de deterioração súbita da empresa-alvo (perda de cliente principal, processo judicial relevante, alteração regulatória adversa). A solução é incluir cláusula MAC com definição precisa dos eventos relevantes (limiar quantitativo de impacto, exclusões típicas como condições gerais de mercado).

Descuido com as obrigações de divulgação em sociedades cotadas. Quando uma das partes seja emitente de valores mobiliários admitidos à negociação em mercado regulamentado, a celebração da LOI pode ser qualificada como informação privilegiada nos termos do Regulamento (UE) 596/2014, exigindo divulgação imediata ao público. A omissão configura contraordenação muito grave sancionável pela CMVM com coima até €5 milhões. A solução é envolver assessor jurídico em mercado de capitais antes da assinatura da LOI.

Preço indicativo sem mecanismo claro de ajustamento. Indicar apenas o preço-base sem definir os mecanismos de ajustamento pós-due diligence (locked box, completion accounts, earn-out), as retenções para garantia de declarações e garantias, e os meios de pagamento gera litígios na fase de negociação do contrato definitivo. A solução é fixar desde a LOI o método de ajustamento, o calendário, a estrutura de retenções e a estrutura de pagamento.

Omissão da autorização da Autoridade da Concorrência. Em operações que atinjam os limiares de volume de negócios fixados no artigo 37.º da Lei n.º 19/2012, a notificação à AdC é obrigatória antes do closing. A omissão da inscrição desta condição suspensiva na LOI pode gerar atrasos significativos na execução do contrato definitivo. A solução é antecipar a análise da obrigação de notificação na fase pré-LOI e incluir a condição suspensiva quando aplicável.

Falta de cláusula de não solicitação de colaboradores e clientes. Durante a fase de due diligence, o emitente acede a informação sobre colaboradores-chave e clientes principais da empresa-alvo. A omissão de cláusula de non-solicitation deixa a empresa-alvo sem tutela contratual contra o aliciamento posterior em caso de rutura das negociações. A solução é incluir cláusula de não solicitação de colaboradores (12 a 24 meses após a rutura) e de clientes (12 a 36 meses), com pena pecuniária por violação.

Fontes e Citações

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Modelo com referências legais — Modelo modificado pela última vez em junho de 2026

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