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Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal

Commercial Contract Termination Letter Portugal (Carta de Resolução de Contrato Comercial)

[Sender Name]

NIF/NIPC: [Sender NIF]

Morada: [Sender Address]

[City], [Letter Date]

Para: [Recipient Name]

NIF/NIPC: [Recipient NIF]

Morada: [Recipient Address]

REMETIDA POR CARTA REGISTADA COM AVISO DE RECEÇÃO

Assunto: Resolução do [Contract Type] celebrado em [Contract Date]

Exmos. Senhores,

Vimos pela presente comunicar formalmente a V. Exas. a resolução do [Contract Type] (referência: [Reference]) celebrado entre as nossas empresas em [Contract Date], com fundamento em [Ground].

1. FUNDAMENTOS DA RESOLUÇÃO

V. Exas. encontram-se em incumprimento das obrigações contratuais nos termos seguintes:

[Breach Description]

O incumprimento descrito constitui violação grave do contrato celebrado e justifica a resolução nos termos dos artigos 432.º e seguintes do Código Civil. Considerando que o cumprimento da prestação se tornou inviável ou perdeu o interesse para a parte credora nos termos do artigo 808.º do Código Civil, a resolução opera-se com a presente comunicação.

2. VALORES EM DÍVIDA E INDEMNIZAÇÃO

Em consequência do incumprimento, V. Exas. ficam obrigados ao pagamento do montante de [Amount], a título de indemnização nos termos dos artigos 562.º a 566.º do Código Civil, sem prejuízo de demais valores que se venham a apurar em consequência do incumprimento.

Sobre o montante em dívida vencem juros de mora à taxa legal aplicável às operações comerciais nos termos do artigo 102.º do Código Comercial e da Portaria n.º 277/2013, de 26 de agosto, calculados desde a data de vencimento até integral pagamento.

3. PRODUÇÃO DE EFEITOS

A presente resolução produz efeitos a partir de [Effective Date], cessando todas as obrigações recíprocas decorrentes do contrato resolvido, sem prejuízo das obrigações que pela sua natureza ou por estipulação contratual sobrevivem à cessação (em particular, obrigações de confidencialidade e de não concorrência quando aplicáveis).

4. RESERVA DE DIREITOS E TUTELA JUDICIAL

Reservamos expressamente o direito de recorrer aos meios judiciais competentes — Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca competente — para cobrança coerciva dos montantes em dívida, indemnização suplementar por danos efetivamente sofridos, e exercício de quaisquer outros direitos que ao caso couberem ao abrigo do Código Civil e do Código de Processo Civil.

Permanecemos disponíveis para qualquer esclarecimento adicional ou para acordo sobre a regularização da situação no prazo de 15 dias úteis a contar da receção da presente carta.

Com os melhores cumprimentos,

_______________________________

[Signatory]

Em representação de [Sender Name]

Remetente

________________

Signature

Mantido por Vladislav Sergienko, Fundador·Modelo modificado pela última vez: ·Relatar um erro

O que é Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal

A Carta de Resolução de Contrato Comercial é o documento empresarial celebrado em Portugal ao abrigo de Código Civil, artigos 432.º a 436.º (resolução) e 808.º (mora convertida em incumprimento definitivo).

A resolução do contrato é instituto distinto da denúncia, da revogação e da nulidade. A resolução pressupõe a existência de causa legal específica — incumprimento, alteração das circunstâncias, cláusula resolutiva expressa — e produz efeitos retroativos quanto às prestações já realizadas, salvo nos contratos de execução continuada ou periódica (artigo 434.º n.º 2 do Código Civil), em que apenas opera ex nunc. A denúncia, pelo contrário, é forma de cessação típica dos contratos de duração indeterminada e não exige causa específica. A revogação resulta de mútuo acordo das partes (distrato). A nulidade decorre de vício originário do contrato (artigos 285.º e seguintes do Código Civil).

A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal de Justiça e dos Tribunais da Relação tem desenhado os contornos da resolução por incumprimento. Para que o incumprimento justifique a resolução, deve ser definitivo (artigo 801.º do Código Civil) — caracterizando-se pela impossibilidade objetiva ou subjetiva da prestação, pela perda do interesse do credor na prestação tardia, ou pela conversão da mora em incumprimento definitivo nos termos do artigo 808.º. Esta última figura permite ao credor interpelar o devedor para cumprir em prazo razoável fixado, com a cominação de que o decurso do prazo sem cumprimento opera a conversão automática da mora em incumprimento definitivo. A interpelação admonitória (carta de interpelação) é frequentemente o passo prévio à carta de resolução.

A resolução pode ser convencional (resultante de cláusula resolutiva expressa inserida no contrato, frequente em contratos comerciais) ou legal (resultante diretamente da lei, em casos típicos como o artigo 801.º). A cláusula resolutiva expressa permite às partes prescrever as situações em que qualquer delas tem direito a resolver o contrato, definir o procedimento (notificação prévia, prazo de cura, formalidades) e estabelecer eventuais consequências (pena pecuniária, perda de garantias, reserva de propriedade). A jurisprudência exige que a cláusula resolutiva seja redigida com precisão e que as situações de resolução sejam graves o suficiente para justificar a cessação do vínculo contratual.

No plano formal, a resolução opera-se mediante declaração unilateral receptícia (artigo 436.º n.º 1 do Código Civil), sem necessidade de intervenção judicial em regra. A declaração deve ser dirigida à contraparte e produz efeitos a partir do momento em que chega ao seu conhecimento ou é conhecida nos termos do artigo 224.º do Código Civil. Para reforço probatório e para efeitos de início de prazos prescricionais, recomenda-se o envio por carta registada com aviso de receção, fax confirmado por escrito, correio eletrónico com pedido de confirmação de leitura, ou notificação judicial avulsa nos termos dos artigos 256.º a 259.º do Código de Processo Civil. A jurisprudência admite ainda a entrega em mão contra recibo assinado pelo recetor.

O efeito principal da resolução é liberatório quanto às obrigações futuras das partes e produz a obrigação de restituição das prestações já realizadas nos termos do artigo 433.º do Código Civil, salvo nos contratos de execução continuada ou periódica em que apenas opera ex nunc. A resolução não exclui o direito a indemnização pelos danos sofridos pelo contraente fiel nos termos do artigo 801.º n.º 2 do Código Civil — a indemnização cobre tanto o dano emergente (despesas inúteis) como o lucro cessante (ganhos esperados que se frustraram), nos termos dos artigos 562.º a 566.º. Em contratos comerciais com pena pecuniária convencionada nos termos dos artigos 810.º a 812.º do Código Civil, esta pode ser pedida em substituição da indemnização efetiva ou cumulativamente quando assim convencionado nos termos do artigo 811.º.

Quando você precisa de Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal

A Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal é necessária sempre que uma das partes contratantes pretenda fazer cessar unilateralmente um contrato comercial com fundamento em incumprimento da contraparte, em alteração das circunstâncias, ou em verificação dos pressupostos de cláusula resolutiva expressa.

Incumprimento de prestações pecuniárias é a causa mais frequente. Quando o devedor não pague a prestação devida no prazo contratualmente fixado, o credor pode interpelar para cumprir em prazo razoável nos termos do artigo 808.º do Código Civil (interpelação admonitória) e, decorrido este prazo sem cumprimento, declarar a resolução por carta. Em contratos sob o Decreto-Lei n.º 62/2013 (atrasos de pagamento em transações comerciais), o credor beneficia de juros moratórios à taxa de referência do Banco Central Europeu acrescida de 8 pontos percentuais, indemnização forfetária mínima de €40 e direito ao reembolso dos custos razoáveis de cobrança.

Incumprimento de obrigações de fazer ou de entregar bens é igualmente fundamento típico. Em contratos de prestação de serviços nos termos do artigo 1154.º do Código Civil, em contratos de empreitada nos termos dos artigos 1207.º e seguintes, em contratos de fornecimento, em contratos de distribuição, em contratos de agência regulados pelo Decreto-Lei n.º 178/86, e em contratos de franquia (regime fundado na construção jurisprudencial), o atraso ou a não execução das obrigações pode justificar a resolução pelo contraente fiel. A gravidade do incumprimento avalia-se em função do impacto na economia do contrato e na satisfação do interesse do credor.

Violação de cláusulas de exclusividade, não concorrência ou confidencialidade configura fundamento adequado de resolução. Em contratos de distribuição comercial em que o distribuidor exclusivo viola a obrigação de não comercializar produtos concorrentes, em contratos de agência em que o agente angaria clientes para concorrentes, em contratos de prestação de serviços em que o prestador divulga informação confidencial em violação do regime do segredo comercial dos artigos 313.º a 320.º do Código da Propriedade Industrial (DL 110/2018), a parte fiel pode resolver o contrato e exigir indemnização, sem prejuízo da tutela específica perante o Tribunal da Propriedade Intelectual em Lisboa nos termos da Lei n.º 46/2011.

Defeitos relevantes em contratos de empreitada e de venda mercantil justificam a resolução nos termos dos artigos 1221.º a 1226.º do Código Civil para empreitada e dos artigos 913.º a 922.º para a venda. O regime distingue entre defeitos sanáveis (com direito à eliminação ou à nova prestação) e defeitos insanáveis (com direito à resolução e indemnização). Em contratos de venda de bens de consumo abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 84/2021 de 18 de outubro (que transpôs a Diretiva (UE) 2019/771), o consumidor beneficia de regime reforçado com prazo de garantia de 3 anos.

Processos de insolvência da contraparte abrem possibilidade de resolução em condições específicas. O Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (Decreto-Lei n.º 53/2004) regula os efeitos da declaração de insolvência sobre os contratos pendentes nos artigos 102.º a 119.º — em regra, o administrador de insolvência decide se cumpre ou recusa o cumprimento, podendo a contraparte resolver o contrato em determinadas condições. No Processo Especial de Revitalização (PER) e no Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE) regulado pela Lei n.º 8/2018 aplicam-se regimes próprios.

Alteração anormal das circunstâncias em que as partes fundaram a decisão de contratar pode justificar a resolução nos termos do artigo 437.º do Código Civil quando a manutenção do contrato afete gravemente o princípio da boa fé ou exceda os riscos próprios do contrato. A jurisprudência tem aplicado este instituto em contextos de crises económicas (crise financeira de 2008-2014, pandemia COVID-19 a partir de 2020, guerra na Ucrânia desde 2022 e respetivas consequências sobre cadeias de fornecimento e preços de energia), exigindo demonstração rigorosa do carácter anormal e imprevisível da alteração e do impacto na economia do contrato.

Verificação dos pressupostos de cláusula resolutiva expressa inserida no contrato dispensa a demonstração da gravidade do incumprimento, bastando a verificação dos factos previstos pelas partes como fundamento de resolução. Estas cláusulas são particularmente comuns em contratos de financiamento (incumprimento de covenants financeiros, alteração de controlo da entidade financiada, declaração de insolvência), em contratos de licença de propriedade intelectual (utilização desviada da licença, violação de obrigações de qualidade), em contratos de distribuição (não atingimento de objetivos de venda mínimos, violação de exclusividade), e em contratos de fornecimento de longa duração (alteração de controlo do fornecedor, falência técnica).

O que incluir no seu Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal

Uma Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal juridicamente eficaz integra elementos de redação rigorosa cuja completude determina a executoriedade da resolução perante o Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca competente.

Identificação completa do remetente e do destinatário constitui o primeiro elemento. Para pessoas coletivas, exige-se a denominação social registada na Conservatória do Registo Comercial, NIPC, sede social, e identificação do representante legal com poderes de vinculação. Para pessoas singulares, NIF emitido pela Autoridade Tributária e Aduaneira, número do Cartão de Cidadão e morada. A destinação da carta deve corresponder à sede social ou ao domicílio convencionado no contrato (eleição de domicílio nos termos do artigo 84.º do Código Civil), evitando contestações posteriores sobre a recetividade da declaração.

Identificação precisa do contrato cuja resolução se declara é o segundo elemento. Devem constar o tipo de contrato (prestação de serviços, fornecimento, distribuição, empreitada, etc.), a data de celebração, a referência interna do contrato, e a indicação dos eventuais aditamentos posteriores. A identificação rigorosa evita litígios sobre o objeto da declaração resolutiva, especialmente em relações comerciais com múltiplos contratos sobrepostos.

Descrição factual do incumprimento é o terceiro elemento crítico. A carta deve identificar com precisão as obrigações alegadamente violadas (citando as cláusulas contratuais específicas), os factos de incumprimento (datas, valores em falta, prestações não realizadas), e a sua qualificação jurídica (mora, incumprimento definitivo nos termos do artigo 801.º do Código Civil, conversão da mora em incumprimento definitivo nos termos do artigo 808.º, ou pressupostos de cláusula resolutiva expressa). A precisão factual é essencial para a aferição posterior da gravidade do incumprimento e da licitude da resolução em caso de litígio judicial.

Fundamento jurídico da resolução é o quarto elemento. A carta deve indicar expressamente a base legal — artigo 432.º do Código Civil (resolução por força da lei ou de cláusula contratual), artigo 801.º (incumprimento definitivo da obrigação por causa imputável ao devedor), artigo 808.º (mora convertida em incumprimento definitivo após interpelação admonitória), artigo 437.º (alteração das circunstâncias), ou cláusula resolutiva expressa identificada por número e disposição. A correspondência entre a base legal invocada e os factos descritos é fator determinante da validade da resolução.

Quantificação dos valores em dívida e da indemnização é o quinto elemento. A carta deve discriminar o capital em dívida, os juros moratórios à taxa legal aplicável às operações comerciais nos termos do artigo 102.º do Código Comercial e da Portaria n.º 277/2013 (atualmente publicada semestralmente pela DGTF), as eventuais penas pecuniárias convencionadas nos termos dos artigos 810.º a 812.º do Código Civil, e a indemnização suplementar pelos danos efetivamente sofridos nos termos dos artigos 562.º a 566.º. Em contratos abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 62/2013 (atrasos de pagamento em transações comerciais), inclua a indemnização forfetária mínima de €40 e os custos de cobrança.

Data de produção de efeitos é o sexto elemento. A resolução produz efeitos a partir do momento da receção da declaração pelo destinatário nos termos do artigo 224.º do Código Civil, salvo se a carta fixar data posterior. A definição clara da data evita litígios sobre o momento da cessação das obrigações recíprocas, particularmente em contratos de execução continuada (fornecimento contínuo, prestação de serviços recorrente).

Reserva de direitos e identificação do foro competente é o sétimo elemento. A carta deve declarar a reserva expressa do direito de recorrer aos meios judiciais competentes para cobrança coerciva dos montantes em dívida, indemnização suplementar, e exercício de quaisquer outros direitos. O foro competente é, em regra, o Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca da sede da parte demandada, salvo pacto atributivo de jurisdição admissível nos termos do artigo 95.º do Código de Processo Civil ou cláusula compromissória de arbitragem nos termos da Lei n.º 63/2011 (Lei da Arbitragem Voluntária).

Forma de envio com prova de receção é o oitavo elemento. A jurisprudência exige prova do envio e da receção da carta para que a resolução produza efeitos. A carta deve ser enviada por carta registada com aviso de receção (operada pelos CTT — Correios de Portugal), por correio expresso com prova de entrega, por notificação judicial avulsa nos termos dos artigos 256.º a 259.º do Código de Processo Civil, ou por correio eletrónico para o endereço convencionado pelas partes com pedido de confirmação de leitura. A entrega em mão deve ser confirmada por recibo assinado pelo recetor.

Identificação do signatário e dos seus poderes de representação é o nono elemento. Para pessoas coletivas, a carta deve ser assinada por gerente ou administrador com poderes de vinculação confirmados pela certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial, ou por procurador com procuração escrita. A assinatura deve ser legível e identificada por nome e cargo. Quando assinada por procurador, é recomendável anexar cópia da procuração.

A forms-legal.com disponibiliza este modelo de Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal como ferramenta operacional para a comunicação formal de cessação contratual. A redação final deve ser revista por advogado inscrito na Ordem dos Advogados, em particular quanto à correspondência entre os factos de incumprimento, a base legal invocada e a quantificação dos danos. Documentos relacionados disponíveis no nosso catálogo: Carta de Aviso de Incumprimento (notificação prévia ao devedor antes da resolução) e Carta Interpelativa para Pagamento (interpelação admonitória nos termos do artigo 808.º do Código Civil).

Como preencher seu Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal

O preenchimento da Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal segue uma sequência prática que maximiza a executoriedade da resolução perante o Juízo de Comércio competente.

Primeiro passo: verificar os pressupostos da resolução. Antes de redigir, confirme que existe causa legal válida — incumprimento definitivo nos termos do artigo 801.º do Código Civil, conversão da mora em incumprimento definitivo após interpelação admonitória nos termos do artigo 808.º, alteração anormal das circunstâncias nos termos do artigo 437.º, ou verificação dos pressupostos de cláusula resolutiva expressa inserida no contrato. A invocação de causa inexistente ou inadequada pode ser qualificada como resolução abusiva, gerando responsabilidade indemnizatória em sentido inverso.

Segundo passo: rever o contrato a resolver e a documentação de suporte. Identifique as cláusulas contratuais alegadamente violadas, as cláusulas resolutivas expressas eventualmente aplicáveis, as obrigações de notificação prévia (períodos de cura, formalidades de aviso), e o domicílio convencionado para notificações. Reúna a documentação probatória do incumprimento — faturas em falta, comunicações trocadas, atas de reuniões, relatórios técnicos, comprovativos de envio e receção.

Terceiro passo: verificar se foi cumprida a interpelação admonitória do artigo 808.º do Código Civil. Quando a resolução se funde em mora convertida em incumprimento definitivo, é essencial que o credor tenha previamente interpelado o devedor para cumprir em prazo razoável fixado, com a cominação de que o decurso do prazo sem cumprimento opera a conversão automática em incumprimento definitivo. Se esta interpelação não foi cumprida, a resolução com este fundamento pode ser declarada inválida em sede judicial.

Quarto passo: identificar com precisão as partes. Para pessoas coletivas, confirme a denominação social, NIPC e sede mediante consulta da certidão permanente disponível em www.empresaonline.pt mediante código de acesso pago. Para pessoas singulares, confirme o NIF junto do Portal das Finanças. Verifique o domicílio convencionado pelas partes no contrato — a notificação no domicílio errado pode invalidar a resolução por falta de receção válida.

Quinto passo: identificar com rigor o contrato a resolver. Indique o tipo de contrato (prestação de serviços, fornecimento, distribuição, empreitada, etc.), a data de celebração, a referência interna do contrato, e a indicação dos eventuais aditamentos posteriores. Em relações comerciais complexas com múltiplos contratos sobrepostos, a precisão da identificação evita litígios sobre o objeto da declaração resolutiva.

Sexto passo: descrever factualmente o incumprimento. Identifique as obrigações alegadamente violadas (citando as cláusulas contratuais específicas), os factos de incumprimento (datas, valores em falta, prestações não realizadas), e a sua qualificação jurídica. A descrição deve ser concreta e suportada por documentos — vagas referências a má execução ou serviço deficiente são insuficientes. Em situações de incumprimento parcial, indique se o cumprimento parcial é considerado equivalente a incumprimento total para efeitos de resolução nos termos do artigo 802.º do Código Civil.

Sétimo passo: indicar a base legal da resolução. Cite expressamente o preceito aplicável — artigo 432.º do Código Civil (resolução por força da lei ou de cláusula contratual), artigo 801.º (incumprimento definitivo), artigo 808.º (mora convertida em incumprimento definitivo), artigo 437.º (alteração das circunstâncias), ou cláusula resolutiva expressa identificada por número e disposição. A correspondência entre a base legal invocada e os factos descritos é fator determinante da validade da resolução.

Oitavo passo: quantificar os valores em dívida e a indemnização. Discrimine o capital em dívida, os juros moratórios à taxa legal aplicável às operações comerciais nos termos do artigo 102.º do Código Comercial e da Portaria n.º 277/2013 (publicada semestralmente pela DGTF), as eventuais penas pecuniárias convencionadas, e a indemnização suplementar pelos danos efetivamente sofridos. Em contratos abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 62/2013, inclua a indemnização forfetária mínima de €40 e os custos de cobrança.

Nono passo: definir a data de produção de efeitos e o foro competente. A resolução produz efeitos a partir do momento da receção da declaração pelo destinatário nos termos do artigo 224.º do Código Civil. Identifique o foro competente — Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca da sede da parte demandada ou foro convencionado por pacto atributivo de jurisdição.

Décimo passo: enviar a carta com prova de receção. O envio deve ser efetuado por carta registada com aviso de receção operada pelos CTT, por correio expresso com prova de entrega, por notificação judicial avulsa nos termos dos artigos 256.º a 259.º do Código de Processo Civil, ou por correio eletrónico para o endereço convencionado com pedido de confirmação de leitura. Conserve o comprovativo de envio e o aviso de receção devolvido em arquivo seguro durante o prazo de prescrição da ação (em regra, 20 anos para contratos comerciais nos termos do artigo 309.º do Código Civil).

Erros comuns a evitar no seu Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal

Os erros mais frequentes na elaboração da Carta de Resolução de Contrato Comercial em Portugal expõem o remetente a contestação judicial da validade da resolução e a inversão do ónus indemnizatório.

Resolução sem prévia interpelação admonitória. Erro recorrente é declarar a resolução com fundamento em mora simples sem ter previamente interpelado o devedor para cumprir em prazo razoável fixado, com a cominação de que o decurso do prazo sem cumprimento opera a conversão automática em incumprimento definitivo nos termos do artigo 808.º do Código Civil. A omissão da interpelação admonitória pode determinar a invalidade da resolução em sede judicial — o tribunal pode considerar que apenas existe mora e não incumprimento definitivo, sancionando a parte que resolveu indevidamente com responsabilidade indemnizatória. A solução é enviar previamente Carta de Interpelação para Pagamento com prazo razoável de cumprimento (tipicamente 8 a 30 dias úteis consoante a natureza da prestação) e com cominação expressa de conversão em incumprimento definitivo.

Descrição vaga do incumprimento. A redação genérica do tipo má execução do contrato ou desempenho insatisfatório não permite ao tribunal verificar a gravidade objetiva do incumprimento. A jurisprudência exige descrição factual concreta — datas das prestações em falta, valores em dívida, cláusulas contratuais específicas violadas, documentos comprovativos. A solução é descrever pormenorizadamente cada incumprimento com referência cruzada às cláusulas violadas e aos documentos probatórios.

Invocação de causa inadequada. Outro erro recorrente é confundir mora com incumprimento definitivo, ou invocar alteração das circunstâncias do artigo 437.º do Código Civil para situações que não atingem o limiar de anormalidade exigido pela jurisprudência. A invocação de causa inadequada pode ser qualificada como resolução abusiva, gerando responsabilidade indemnizatória em sentido inverso. A solução é analisar rigorosamente os pressupostos de cada base legal antes de redigir a carta — quando exista dúvida, é preferível invocar várias bases legais alternativas (subsidiariamente).

Notificação no domicílio errado. A jurisprudência exige que a declaração resolutiva seja recebida pelo destinatário ou seja recebível no domicílio convencionado nos termos do artigo 84.º do Código Civil. A notificação em domicílio errado, ou em endereço de filial quando o contrato indique a sede social, pode invalidar a resolução por falta de receção válida. A solução é confirmar previamente o domicílio convencionado pelas partes no contrato e na certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial.

Falta de prova do envio e da receção. A declaração resolutiva é receptícia — produz efeitos a partir do momento da receção pelo destinatário nos termos do artigo 224.º do Código Civil. A prova do envio e da receção cabe ao remetente nos termos do artigo 342.º n.º 1 do Código Civil. O envio por correio simples sem aviso de receção, ou por correio eletrónico para endereço não convencionado pelas partes, pode tornar impossível a prova da receção. A solução é utilizar carta registada com aviso de receção dos CTT, notificação judicial avulsa nos termos dos artigos 256.º a 259.º do Código de Processo Civil, ou correio eletrónico para o endereço convencionado com pedido de confirmação de leitura.

Quantificação imprecisa dos valores em dívida e da indemnização. A omissão da discriminação do capital em dívida, dos juros moratórios à taxa aplicável às operações comerciais nos termos do artigo 102.º do Código Comercial e da Portaria n.º 277/2013, das penas pecuniárias e da indemnização suplementar dificulta a cobrança coerciva posterior. A solução é apresentar mapa detalhado dos valores em dívida, com cálculo dos juros até à data da carta e indicação da continuação da contagem até integral pagamento.

Omissão da reserva de direitos. A ausência de declaração expressa de reserva do direito de recorrer aos meios judiciais competentes para cobrança coerciva, indemnização suplementar e exercício de quaisquer outros direitos pode ser interpretada como renúncia tácita a esses direitos em sede judicial. A solução é incluir cláusula expressa de reserva de direitos na parte final da carta.

Resolução parcial sem fundamento. Em contratos divisíveis, a parte fiel pode resolver parcialmente o contrato relativamente às prestações afetadas pelo incumprimento. Em contratos indivisíveis, a resolução tem de ser total. A confusão entre contratos divisíveis e indivisíveis pode invalidar a resolução parcial em contratos onde apenas a resolução total é admissível, ou vice-versa. A análise da divisibilidade depende do regime contratual específico e da relação entre as várias prestações.

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Perguntas Frequentes

Modelo com referências legais — Modelo modificado pela última vez em junho de 2026

Este modelo é fornecido apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento jurídico. As leis variam de acordo com a jurisdição e mudam ao longo do tempo. Consulte um advogado qualificado para aconselhamento específico para a sua situação.Aviso legal completo

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