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Confissão de Dívida — Portugal

Confissão de Dívida — Portugal

CONFISSÃO DE DÍVIDA

Nos termos do artigo 458.º do Código Civil (Decreto-Lei n.º 47 344, de 25 de Novembro de 1966)

CLÁUSULA PRIMEIRA — PARTES

DEVEDOR / CONFITENTE:

Nome / Denominação: [Debtor Name]

NIF / NIPC: [Debtor N I F]

Morada / Sede: [Debtor Address]

Cartão de Cidadão: [Debtor Doc]

CREDOR:

Nome / Denominação: [Creditor Name]

NIF / NIPC: [Creditor N I F]

Morada / Sede: [Creditor Address]

IBAN para pagamento: [Creditor I B A N]

CLÁUSULA SEGUNDA — CONFISSÃO DE DÍVIDA

O DEVEDOR, devidamente identificado na Cláusula Primeira, confessa e reconhece dever ao CREDOR, nos termos do artigo 458.º do Código Civil, a quantia líquida, certa e exigível de [Total Amount], correspondente ao capital de [Principal Amount] acrescido de juros vencidos no valor de [Interest Amount], com origem em [Debt Origin], cujo vencimento ocorreu em [Debt Date].

O DEVEDOR declara expressamente que a dívida acima confessada é real, lícita e existe por força da causa identificada, renunciando a quaisquer exceções de inexistência, iliquidez ou prescrição que não decorram da presente data.

CLÁUSULA TERCEIRA — CONDIÇÕES DE PAGAMENTO

Modalidade de pagamento: [Payment Mode]

Prazo / data de pagamento: [Payment Deadline]

Taxa de juros de mora: [Late Interest Rate]

Em caso de incumprimento do prazo de pagamento, o devedor incorrerá em mora automática a partir da data de vencimento acordada, nos termos do artigo 805.º n.º 2 alínea a) do Código Civil, sendo devidos juros de mora à taxa indicada sobre o capital em dívida, sem necessidade de interpelação.

CLÁUSULA QUARTA — GARANTIAS

Garantia prestada: [Guarantee Type]

CLÁUSULA QUINTA — TÍTULO EXECUTIVO

O presente documento, sendo assinado por ambas as partes e com assinaturas reconhecidas presencialmente perante notário, solicitador ou advogado, constitui título executivo nos termos do artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho), permitindo ao credor instaurar ação executiva para pagamento de quantia certa sem necessidade de prévia ação declarativa.

CLÁUSULA SEXTA — LEI APLICÁVEL E FORO

O presente documento é regulado pela lei portuguesa, designadamente pelo artigo 458.º do Código Civil e pelo artigo 703.º do Código de Processo Civil. Para quaisquer litígios é eleito o foro da comarca de [Contract City], com exclusão de qualquer outro.

Feito em [Contract City], em [Contract Date].

Devedor / Confitente

________________

Signature

Credor

________________

Signature

Mantido por Vladislav Sergienko, Fundador·Modelo modificado pela última vez: ·Relatar um erro

O que é Confissão de Dívida — Portugal

A Confissão de Dívida é o documento financeiro utilizado em Portugal nos termos de Código Civil (Decreto-Lei n.º 47 344, de 25 de Novembro de 1966), artigo 458.º.

O artigo 458.º do Código Civil consagra o regime da promessa unilateral de prestação como causa geradora de obrigação. Nos termos desse preceito, a promessa de cumprimento de uma obrigação ou o reconhecimento de uma dívida exonera o credor de provar a relação fundamental, presumindo-se, até prova em contrário, a existência da obrigação. Esta presunção, qualificada como presunção iuris tantum, inverte o ónus da prova: é o devedor que deve ilidir a presunção de existência da dívida, demonstrando a ausência de causa ou a nulidade da obrigação subjacente, sem necessidade de o credor alegar e provar toda a relação causal.

A força executiva da Confissão de Dívida é o seu traço mais distintivo em comparação com simples cartas de reconhecimento informal. O artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil (CPC — Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho) estabelece que constituem títulos executivos os «documentos particulares, assinados pelo devedor, que importem constituição ou reconhecimento de obrigações pecuniárias», desde que as assinaturas sejam reconhecidas presencialmente perante notário, conservador, advogado inscrito na Ordem dos Advogados ou solicitador inscrito na Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução (OSAE). Com as assinaturas reconhecidas, o credor pode instaurar imediatamente ação executiva para pagamento de quantia certa no Tribunal Judicial da Comarca competente, sem necessidade de prévia ação declarativa — uma vantagem processual de enorme valor prático na cobrança de dívidas comerciais.

A distinção entre Confissão de Dívida e outros instrumentos de regularização de passivo é relevante para a escolha do documento adequado. O Acordo de Pagamento em Prestações (ao abrigo dos artigos 405.º e 781.º do Código Civil) pressupõe a concordância de ambas as partes quanto ao valor em dívida e ao plano de pagamento, sendo um contrato bilateral; a Confissão de Dívida é um ato unilateral do devedor, suficiente por si para criar a presunção de existência da obrigação. O Acordo de Quitação de Dívida (ao abrigo do artigo 863.º CC) extingue a obrigação mediante remissão total ou parcial pelo credor; a Confissão de Dívida mantém a obrigação em toda a sua extensão. A livrança em branco com pacto de preenchimento é um título cambiário que permite execução imediata sem reconhecimento de assinaturas; a Confissão de Dívida cria um título executivo civil mais explícito quanto à causa da obrigação, facilitando a defesa do credor em sede de embargos de executado. O Supremo Tribunal de Justiça e os Tribunais da Relação de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Guimarães têm consolidado a jurisprudência sobre os requisitos da Confissão de Dívida, nomeadamente quanto à liquidez e exigibilidade necessárias para a força executiva do título.

A prática dos Tribunais da Relação de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Guimarães e do Supremo Tribunal de Justiça tem consolidado os requisitos da Confissão de Dívida como título executivo, confirmando que a inversão do ónus da prova do artigo 458.º do Código Civil se aplica mesmo quando o confitente é pessoa coletiva, desde que o signatário tenha poderes de vinculação confirmados pela certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial.

Quando você precisa de Confissão de Dívida — Portugal

A Confissão de Dívida em Portugal torna-se necessária em múltiplos contextos da vida financeira e comercial, sempre que o credor pretende documentar formalmente o reconhecimento de um passivo pelo devedor, prevenir litígios sobre a existência ou montante da dívida, e — quando adequadamente formalizada — obter um título executivo que permita cobrança judicial imediata.

O primeiro contexto de utilização frequente é a regularização de dívidas comerciais entre empresas. Fornecedores de materiais de construção, distribuidores de produtos alimentares, prestadores de serviços de consultoria e empresas de tecnologia da informação recorrem sistematicamente à Confissão de Dívida quando o cliente em mora recusa ou não consegue pagar dentro dos 30 dias previstos nos contratos de fornecimento. A Confissão de Dívida substitui, com vantagem, a carta de cobrança informal: ao invés de simplesmente reconhecer o valor em dívida, o devedor assina um documento que, com assinaturas reconhecidas, se transforma em título executivo ao abrigo do artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013). O Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Banco de Portugal registam as dívidas em atraso das empresas portuguesas na Central de Responsabilidades de Crédito, cujos dados informam as decisões de crédito dos fornecedores.

O segundo contexto são empréstimos entre particulares e entre sócios de sociedades. Quando sócios de sociedades por quotas (Lda.) ou de sociedades anónimas (S.A.) ao abrigo do Código das Sociedades Comerciais (Decreto-Lei n.º 262/86) concedem empréstimos pessoais à empresa ou entre si, a Confissão de Dívida formaliza o passivo e estabelece o plano de reembolso. Sem documentação adequada, estes empréstimos podem ser requalificados pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) como suprimentos irregulares ou distribuições disfarçadas de lucros, com consequências fiscais em sede de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC — Decreto-Lei n.º 442-B/88) e de Imposto do Selo.

O terceiro contexto são negociações de reestruturação de dívidas no contexto do Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE — Lei n.º 8/2018, de 2 de Março) e do Processo Especial para Acordo de Pagamento (PEAP), inseridos no Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE — Decreto-Lei n.º 53/2004, de 18 de Março). Nos processos de reestruturação extrajudicial, os credores e devedores frequentemente formalizam o montante do passivo através de Confissão de Dívida como precondição para a negociação de um plano de pagamento, garantindo ao credor um documento executivo caso as negociações fracassem.

O quarto contexto é a formalização de responsabilidades em operações de compra e venda de empresas e de fusões e aquisições (M&A). Em processos de due diligence conduzidos por assessores jurídicos inscritos na Ordem dos Advogados, a identificação de passivos não registados (dívidas fiscais, laborais, fornecedores) é frequentemente resolvida mediante Confissões de Dívida assinadas pelo vendedor ou pela sociedade alvo, criando documentação clara dos passivos assumidos na transação.

O quinto contexto são relações entre senhorios e arrendatários ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU — Lei n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, alterada pelas Leis n.ºs 31/2012, 13/2019 e 56/2023 «Mais Habitação»). Quando o arrendatário acumula rendas em atraso, o senhorio pode solicitar a assinatura de uma Confissão de Dívida que substitua — ou complemente — o procedimento especial de despejo junto do Balcão Nacional do Arrendamento (BNA), criando um título executivo mais explícito quanto ao montante em dívida.

O que incluir no seu Confissão de Dívida — Portugal

A Confissão de Dívida em Portugal juridicamente eficaz e dotada de força executiva integra um conjunto de elementos essenciais cujo preenchimento determina a admissibilidade do título em ação executiva perante o Tribunal Judicial da Comarca competente e os Tribunais da Relação de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Guimarães.

Identificação rigorosa das partes constitui o primeiro elemento. O devedor/confitente deve ser identificado pelo nome completo ou denominação social, Número de Identificação Fiscal (NIF) emitido pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), número do Cartão de Cidadão emitido pelo Instituto dos Registos e do Notariado, I.P. (IRN) se se tratar de pessoa singular, e morada/sede com código postal no formato NNNN-NNN. Para pessoas coletivas (sociedades por quotas Lda. ou sociedades anónimas S.A.), é necessária a certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial em www.empresaonline.pt para confirmar denominação social, NIPC, sede e poderes de vinculação do signatário. O credor deve ser identificado com a mesma precisão, incluindo o IBAN português no formato PT50 + 21 dígitos = 25 caracteres, para pagamento domiciliado.

Especificação da origem e causa da dívida é o segundo elemento. O artigo 458.º n.º 1 do Código Civil exige que a Confissão de Dívida identifique a causa da obrigação reconhecida: factura, contrato de fornecimento, empréstimo, prestação de serviços, arrendamento. A causa não necessita de estar provada documentalmente no momento da assinatura — a presunção legal do artigo 458.º dispensa o credor dessa prova — mas a sua identificação impede que o devedor invoque, em sede de embargos de executado ao abrigo do artigo 729.º do Código de Processo Civil, a inexistência ou nulidade da causa como fundamento de oposição.

Quantificação líquida e exigível da dívida é o terceiro elemento. A dívida confessada deve ser líquida (montante determinado em euros, com separador decimal vírgula e separador de milhares ponto — ex.: 18.400,00 €), certa (indiscutível quanto à sua existência) e exigível (vencida ou cujo vencimento se pode determinar). A indicação separada do capital, dos juros vencidos e do total confessado facilita o controlo da liquidez exigida pelo artigo 703.º do Código de Processo Civil para admissão da ação executiva.

Cláusula de mora automática é o quarto elemento. A Confissão de Dívida deve estabelecer que o devedor incorre em mora automática a partir da data de vencimento acordada, nos termos do artigo 805.º n.º 2 alínea a) do Código Civil, sem necessidade de interpelação, e que os juros de mora são devidos à taxa legal ou à taxa convencional indicada. A taxa de juro de mora legal para dívidas comerciais em Portugal é fixada anualmente por Portaria (para 2025: 10,5% ao ano para dívidas comerciais nos termos da Lei n.º 3/2010 e legislação subsequente que transpõe a Diretiva 2011/7/UE sobre pagamentos em atraso).

Cláusula de garantia é o quinto elemento. A Confissão de Dívida pode ser reforçada por garantias reais ou pessoais: livrança em branco com pacto de preenchimento ao abrigo da Lei Uniforme sobre Letras e Livranças (LULL), penhor de bens móveis ao abrigo dos artigos 666.º a 701.º do Código Civil, fiança de terceiro ao abrigo dos artigos 627.º a 654.º do Código Civil, ou hipoteca ao abrigo dos artigos 686.º a 795.º do Código Civil. A referência expressa à garantia prestada na Confissão de Dívida constitui o credor em primeiro lugar na hierarquia de pagamentos em caso de insolvência, ao abrigo do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE — Decreto-Lei n.º 53/2004).

Reconhecimento presencial de assinaturas é o sexto elemento. Para que a Confissão de Dívida seja título executivo nos termos do artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil, as assinaturas devem ser reconhecidas presencialmente perante notário (Código do Notariado — Decreto-Lei n.º 207/95, de 14 de Agosto), balcão de Conservatória, advogado inscrito na Ordem dos Advogados ou solicitador inscrito na Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução (OSAE), nos termos do artigo 38.º do Decreto-Lei n.º 76-A/2006, de 29 de Março. A alternativa é a assinatura eletrónica qualificada com Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital ao abrigo do artigo 25.º do Regulamento (UE) 910/2014 (eIDAS) e do Decreto-Lei n.º 12/2021, de 9 de Fevereiro.

A forms-legal.com disponibiliza este modelo de Confissão de Dívida para Portugal como instrumento prático de formalização de passivos e recuperação de crédito. A revisão por advogado inscrito na Ordem dos Advogados ou solicitador inscrito na OSAE é recomendável em situações complexas, nomeadamente quando o devedor seja pessoa coletiva sujeita a processo de insolvência ou quando o crédito seja de montante elevado e careça de garantias reais adicionais. Documentos relacionados: Acordo de Pagamento em Prestações, Acordo de Renegociação de Dívida e Contrato de Penhor em Portugal.

Como preencher seu Confissão de Dívida — Portugal

O preenchimento correto da Confissão de Dívida em Portugal é determinante para a sua admissibilidade como título executivo ao abrigo do artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho). A sequência de passos abaixo garante a liquidez, certeza e exigibilidade exigidas para a instauração de ação executiva perante o Tribunal Judicial da Comarca competente.

Primeiro passo: confirmar as identidades das partes. Para o devedor/confitente pessoa singular, verifique o nome completo conforme consta no Cartão de Cidadão, o NIF junto do Portal das Finanças da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), e a morada atual com código postal NNNN-NNN. Para o devedor/confitente pessoa coletiva, obtenha a certidão permanente atualizada na Conservatória do Registo Comercial (www.empresaonline.pt) e confirme a denominação social, o NIPC, a sede e os poderes de representação do signatário. Para o credor, recolha o IBAN português (PT50 + 21 dígitos = 25 caracteres) para facilitar o pagamento por transferência bancária e evitar litígios sobre o meio de pagamento.

Segundo passo: descrever com precisão a origem da dívida. Identifique a relação jurídica que deu origem ao passivo: número e data das faturas em atraso, referência ao contrato de fornecimento, data e valor do empréstimo. Inclua referências documentais verificáveis — não se limite a indicar «fornecimento de bens» sem especificar os documentos subjacentes. A identificação precisa da causa impede que o devedor invoque a inexistência de causa em sede de embargos de executado ao abrigo do artigo 729.º do Código de Processo Civil.

Terceiro passo: quantificar separadamente capital, juros e total. Indique o montante do capital em dívida, os juros vencidos (calculados à taxa legal ou contratual) e o total confessado, todos em euros com o formato monetário português (separador decimal vírgula, separador de milhares ponto — ex.: 18.400,00 €). A separação entre capital e juros é relevante para o cálculo de futuros juros de mora sobre o capital, evitando a anatocismo (juros sobre juros) proibido pelo artigo 560.º do Código Civil, salvo convenção posterior ao vencimento.

Quarto passo: definir o prazo e modalidade de pagamento. Especifique se o pagamento é imediato (em data única), faseado (em prestações mensais) ou diferido (num prazo único futuro). Para pagamento em prestações, indique o número de prestações, o valor de cada uma, a data da primeira prestação e o dia mensal de pagamento, complementando com o regime de vencimento antecipado do artigo 781.º do Código Civil. Para pagamento imediato, indique a data-limite exata no formato DD/MM/AAAA.

Quinto passo: estabelecer a taxa de juros de mora. Indique expressamente se a taxa de juros de mora aplicável é a taxa legal (fixada anualmente por Portaria) ou uma taxa convencional acordada entre as partes. Para 2025, a taxa legal de juros de mora para dívidas comerciais é aproximadamente 10,5% ao ano, calculada sobre a taxa de referência do Banco Central Europeu acrescida de 8 pontos percentuais, nos termos da Lei n.º 3/2010, de 27 de Abril (transposição da Diretiva 2011/7/UE sobre pagamentos em atraso). Para dívidas civis (não comerciais), a taxa é inferior e fixada por Portaria separada.

Sexto passo: indicar a garantia prestada. Se o devedor prestar garantia adicional (livrança em branco com pacto de preenchimento, penhor, fiança de terceiro), identifique-a expressamente na Confissão de Dívida, com referência ao instrumento de garantia. A articulação entre a Confissão de Dívida e a garantia complementar define a posição do credor em caso de insolvência do devedor nos termos do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE — Decreto-Lei n.º 53/2004).

Sétimo passo: proceder ao reconhecimento presencial das assinaturas. Para que a Confissão de Dívida constitua título executivo nos termos do artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil, as assinaturas de ambas as partes (ou pelo menos do devedor/confitente) devem ser reconhecidas presencialmente perante notário, balcão de Conservatória, advogado ou solicitador. O custo de um reconhecimento simples de assinatura é reduzido (tipicamente abaixo de 20 €) comparado com o benefício processual de dispensar a ação declarativa prévia, que pode durar meses ou anos perante os tribunais portugueses.

Oitavo passo: conservar a documentação. Guarde original da Confissão de Dívida, cópias de todos os documentos identificativos das partes, os instrumentos de garantia e qualquer correspondência prévia sobre a dívida durante o prazo de prescrição de 20 anos previsto no artigo 309.º do Código Civil (prescrição ordinária) ou o prazo mais curto aplicável à relação jurídica específica (ex.: 5 anos para dívidas comerciais resultantes de atividade empresarial, nos termos do artigo 317.º CC).

Erros comuns a evitar no seu Confissão de Dívida — Portugal

Os erros mais frequentes na elaboração da Confissão de Dívida em Portugal comprometem a sua admissibilidade como título executivo ou a sua força probatória em sede de ação declarativa perante os Tribunais da Relação de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Guimarães e o Supremo Tribunal de Justiça.

Omissão do reconhecimento presencial de assinaturas. A ausência do reconhecimento presencial das assinaturas por notário, conservador, advogado ou solicitador impede que a Confissão de Dívida constitua título executivo nos termos do artigo 703.º n.º 1 alínea b) do Código de Processo Civil. O credor perde a vantagem processual de dispensar a ação declarativa prévia, tendo de instaurar ação de condenação no Tribunal Judicial da Comarca, que pode demorar meses ou anos dado o volume de processos pendentes nos tribunais portugueses — situação monitorizada anualmente pelo Relatório sobre a Justiça em Portugal do Ministério da Justiça. A solução é sempre reconhecer presencialmente as assinaturas, cujo custo é mínimo.

Dívida indefinida ou ilíquida. A indicação de montantes vagos («devo ao credor o que for apurado», «montante a determinar») impede a admissão da ação executiva por falta de liquidez da obrigação ao abrigo do artigo 703.º do CPC. O valor deve ser determinado em euros com precisão de cêntimos no formato monetário português (ex.: 19.320,00 €).

Omissão da causa da dívida. A confissão «em abstrato», sem referência à relação causal (faturas, contrato, empréstimo), ainda opera a presunção do artigo 458.º CC, mas expõe o credor ao risco de impugnação por inexistência de causa ou por vício da vontade do confitente. A referência expressa à causa, com números de documentos e datas, é sempre recomendável.

Confusão entre juros de mora e anatocismo. Os juros sobre juros vencidos (anatocismo) são proibidos pelo artigo 560.º do Código Civil, salvo convenção posterior ao vencimento dos juros. A Confissão de Dívida não deve capitalizar juros vencidos na base de cálculo de futuros juros de mora — apenas o capital original deve ser a base de cálculo dos juros correntes.

Falta de indicação da taxa de mora. A omissão da taxa de juros de mora obriga o credor a aplicar a taxa legal (fixada anualmente por Portaria), que pode ser inferior à taxa contratualmente acordada. A indicação expressa da taxa de mora na Confissão de Dívida garante a aplicação da taxa pretendida pelas partes, dentro dos limites legais da Lei Anti-Usura (artigo 1146.º do Código Civil para contratos civis, e regime especial para crédito ao consumo ao abrigo do Decreto-Lei n.º 133/2009, de 2 de Junho).

Assinatura por quem não tem poderes. Quando o confitente é uma pessoa coletiva, a Confissão de Dívida deve ser assinada por quem tem poderes de representação confirmados pela certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial. A assinatura por sócio ou colaborador sem poderes de vinculação não produz efeitos jurídicos perante a sociedade, embora possa criar responsabilidade pessoal do signatário por gestão sem mandato nos termos dos artigos 464.º e seguintes do Código Civil.

Fontes e Citações

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  1. eIDASEU official

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Perguntas Frequentes

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